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Plantas Daninha

Capim-amargoso: mais um caso de resistência ao glifosato

352 vizualizações | Postado em 20 de junho de 2017

As plantas daninhas interferem nos negócios da agricultura de forma significativa

As plantas daninhas interferem nos negócios da agricultura de forma significativa. Mas afinal, são parte integrante da natureza e cabe ao homem aprender a conviver com elas. Mas conviver como? Manejando-as adequadamente. Manejar plantas daninhas é administrar o problema. É uma filosofia de trabalho que tem por base a sustentabilidade, a proteção do homem e do ambiente. Significa vantagens econômicas e conforto de trabalho que se obtém com o passar dos anos. Quando se fala em manejar, a primeira coisa que vem à cabeça é o controle químico, mas é preciso levar em conta a utilização de outras alternativas. Manejar é saber usar a palhada, as características das culturas, as rotações, os tratos culturais, os espaçamentos, a fertilidade, enfim, todo e qualquer fator que possa ajudar no controle e não apenas o herbicida. Sem duvida, o controle químico é pratico e rápido e por isso é o mais utilizado. Mas herbicidas devem ser vistos como uma das alternativas e não a única. O histórico do problema das plantas daninhas da soja no Brasil mostra momentos de grande pressão de infestação, alternando-se com importantes soluções apresentadas pela indústria química. Quem não se lembra dos problemas com o leiteiro, capim-marmelada e picão-preto e as soluções encontradas com herbicidas que atuam nas enzimas chamadas de ALS e ACCase. Mas o uso massivo deste grupo de produtos permitiu a manifestação de biótipos resistentes das mesmas espécies, no manejo na soja convencional. A soja geneticamente modificada para tolerar ao glifosato foi um marco na historia e hoje é adotada em aproximadamente 80% das áreas de produção no país. Essa rápida evolução se deu pela facilidade de uso e eficiência do glifosato em resolver os problemas que os produtos convencionais já não resolviam mais.

É inegável a contribuição do glifosato como herbicida e das cultivares de soja a ele resistente, mas trata-se de uma tecnologia que não dispensa o uso adequado do produto, o que inclui um programa de manejo. O glifosato está disponível no mercado brasileiro desde meados dos anos 70. Foi muito aplicado com dessecante no período de entressafra, no sistema de semeadura direta, assim como em áreas não cultivadas, pomares e reflorestamentos. É considerado um herbicida padrão e deve ser usado corretamente para manter sua eficiência, pois raramente surge no mercado um produto tão importante para a agricultura quanto esse.

Todo e qualquer herbicida está sujeito a problemas de resistência das plantas daninhas, um fenômeno que ocorre naturalmente. Mas, os herbicidas não provocam a resistência, apenas selecionam os biótipos resistentes já presentes nas áreas agrícolas, devido ao seu uso continuado. E, como aconteceu com os herbicidas utilizados na soja convencional, o glifosato também tem selecionado biótipos resistentes. Algo que muitos até pouco tempo atrás não acreditavam ser possível acontecer. Biótipos resistentes do capim-amargoso (Digitaria insularis), do azevém (Lolium multiforum), do amendoin-bravo (Euphorbia heteropylla) e das duas espécies de buva (Conyza spp.) são uma realidade no Brasil. O azevém é um sério problema na região sul, onde além do glifosato, alguns biótipos resistem também aos

graminicidas que atuam na enzima ACCase, enquanto outros são resistentes aos inibidores da ALS. Por causa disso, é cada vez fica mais difícil controlar estes biótipos.

Recentemente, regiões produtoras do Paraná e Rio Grande do Sul foram surpreendidas pela rápida disseminação de biótipos de buva resistente ao gilifosato e as perdas de rendimento foram significativas. Pior ainda, perceberam que tratava-se de uma espécie que não era controlada por um produto apenas , como estavam acostumados a ver, mas sim por um conjunto de ações, que envolvem época de aplicação, efeitos da palhada, combinação de diferentes compostos químicos etc, etc, etc…. Mal atingimos esse estágio, passamos a conviver com um outro tipo de problema, tão grave como o da buva. Plantas de capimamargoso resistentes ao glifosato estão disseminando nas lavouras de soja de forma tão rápida como aconteceu com a buva. O capim-amargoso (Digitaria insularis) pertence a família poacea ou gramínea, envolve aproximadamente 300 espécies no mundo e inclui outras plantas bem conhecidas como o capim-colchão. É uma planta perene, rizomatosa com alta capacidade de rebrota, forma touceiras, e nas nossas condições germina o ano todo. Suas sementes são pequenas e se dispersam facilmente pelo vento. Era muito comum em pastagens, mas com a ampliação da adoção da semeadura direta se espalhou pelas áreas de produção de grãos, passando de uma espécie considerada marginal. para uma das principais plantas daninhas no Brasil.

Hoje, essa gramínea, também é bastante frequente em pomares, áreas de cultivo de café, cana, pastagens, gramados etc. Vegeta o ano inteiro, embora em maior intensidade no período de verão. O controle de biótipos resistentes envolve o uso de graminicidas pós-emergentes e alguns herbicidas que atuam como pré-emergentes. Quando ocorre durante o desenvolvimento da cultura da soja, o fechamento das entre-linhas mostrou ser um grande auxiliar na ação dos herbicidas.

Plantas adultas que se desenvolvem na entressafra são difíceis de serem controladas. Assim, o maior risco está em se tentar o controle de plantas já desenvolvidas, pois requerem altas doses e aplicações seqüenciais com intervalos de 25 a 30 dias. Não são raros os casos de rebrota, o que reforça a importância da eliminação das plantas novas. A integração do controle mecânico com o químico pode trazer resultados em plantas desenvolvidas, mas em grandes áreas essa alternativa tem baixo rendimento, é onerosa, e de pouca viabilidade prática. Quando cortadas após a passagem da automotriz, as touceras devem ser tratadas com herbicidas cerca de 15 a 20 dias após. No Paraguai esses biótipos também existem e estão disseminados em todos os sistemas de produção. E o pior, é que atualmente na soja já são utilizadas doses bastante elevadas de graminicidas pós-emergentes, chegando em muitos casos ao dobro da dose inicialmente recomendada, ou mais. Até herbicidas pré-emergentes tem sido utilizado na tentativa de segurar esse problema, cuja gravidade é muito preocupante. E o que vai acontecer quando estes graminicidas para uso em pós-emergência deixarem definitivamente de funcionar?

Cada novo biótipo resistente ao glifosato é um problema a mais para o agricultor e significa dificuldades técnicas e maior custo de produção. Quanto mais o glifosato for utilizado de forma adequada, maior será a vida útil do herbicida. É preciso ter consciência da gravidade da manifestação de biótipos resistente. Cabe a todos não permitir que isso aconteça. Precisamos prevenir a disseminação de novos casos de resistência, especialmente do capim amargoso, uma planta tão problemática, se não pior do que a buva. Enquanto ainda dá tempo. Podemos fazer o alerta, mas cabe ao agricultor o importante papel de fazer a prevenção. Se analisarmos as consequências da se permitir a disseminação de biótipos resistentes em outros países, como Estados Unidos, por exemplo, observaremos com muita facilidade a importância da prevenção.

Vale a pena lembrar que embora a resistência ao glifosato já ocorra de forma preocupante no Brasil, ainda é tempo de se evitar danos maiores e que a velha e boa enxada continua a ser uma alternativa, principalmente para eliminar plantas adultas, fonte da produção de sementes resistentes, é o caso do capim amargoso, que se inicia.

Artigo publicado na Revista Granja
Dionísio Gazziero, Donizeti Fornarolli, Fernando Adegas, Leandro Vargas, Elemar Voll

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